quinta-feira, 28 de junho de 2018

A minha primeira memória de… Ricardo Quaresma e suas trivelas

Quaresma festejou com Tello a primeira trivela de leão ao peito

O jogo entre Portugal e Irão teve um sabor agridoce para os adeptos da seleção nacional, mas certamente terá servido de consolo a Ricardo Quaresma o grande golo que consagrou mundialmente a trivela, o seu típico remate com a parte exterior do pé direito. Ao cabo de 17 anos a jogar ao mais alto nível e a espalhar magia pelos relvados internacionais, finalmente o extremo português conseguiu mostrá-la num palco para o qual estão direcionados os olhos de todo o planeta.

Quando se fala de Quaresma e de trivelas, a principal memória dos portugueses é a de um golo à Bélgica no Estádio José Alvalade, durante a qualificação para o Euro 2008, em março de 2007. Outros recordarão um remate fantástico frente ao Rio Ave, já ao serviço do FC Porto, em setembro de 2005.


No entanto, tenho uma lembrança mais antiga, e remonta a 11 de julho 2001, a um particular entre Sporting e Académica, disputado em Rio Maior e transmitido na RTP 1. Cerca de um mês depois de ter ficado sem duas das principais figuras do título de 1999/00, Peter Schmeichel e Beto Acosta, os leões tinham o romeno László Bölöni como novo treinador, que chamou alguns jovens da formação para a pré-época. Nesse jogo, o técnico deu a oportunidade a Ricardo Quaresma, então um menino de 17 anos, lançado no onze que incluía os consagrados Beto, Phil Babb, Dimas, Paulo Bento e João Pinto. "Quaresma desde cedo chamou a si todas as atenções. Cada vez que a bola ia ter com ele, o perigo rondava a baliza da Académica. Até que aos 15', na esquerda, o "puto" de Alvalade fez um golo genial, num remate cruzado com a bola a entrar no ângulo esquerdo da baliza de Pedro Roma", pode ler-se na peça online do Record alusiva a esse jogo. Foi a primeira vez que vi Quaresma e… um remate daqueles. Absolutamente fantástico!


Se essa é a primeira memória de uma trivela de Quaresma, a segunda surge três dias depois, no jogo de apresentação dos verde e brancos, diante dos alemães do Kaiserslautern, ainda no velhinho José Alvalade. O então “novo menino bonito dos sportinguistas”, conforme narrado pelo jornalista da RTP no resumo abaixo exibido, entrou aos 66 minutos para o lugar de Ricardo Sá Pinto e apenas precisou de cinco minutos para fazer uso da parte exterior do pé para marcar, após tirar o guarda-redes do caminho.


Na primeira época pela equipa principal do Sporting, em 2001/02, foi uma das revelações do campeonato e uma peça importante para a conquista do título, o último da história do emblema leonino. Mostrou desde logo ser capaz de fazer coisas tão impressionantes quanto imprevisíveis e ser dotado de um talento raro, mas infelizmente nunca o conseguiu mostrar nos clubes de top europeu pelos quais atuou, Barcelona, Inter e Chelsea. Se em Camp Nou ainda chegou a ser apelidado de Harry Potter da Catalunha, mas foi prejudicado por uma lesão e uma saída precoce, no Giuseppe Meazza e em Stamford Bridge nem sequer chegou a brilhar. Uma pena que tenha passado ao lado de uma grande carreira e que o público mundial não tenha tido a oportunidade de conhecer melhor a sua habilidade.





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