sexta-feira, 18 de maio de 2018

I Liga 2017/18 | Revelações

Despromovido Estoril, Portimonense, Sp. Braga e Rio Ave com dois jogadores cada



A edição 2017/18 da I Liga contou com equipas como o Rio Ave, Desp. Chaves, Portimonense e Estoril a praticarem um futebol atrativo, privilegiando o espetáculo tantas e tantas vezes em detrimento do resultadismo. Quando assim é, os seus jogadores saem valorizados, sendo perfeitamente normal que os estreantes no patamar maior do futebol português sejam considerados revelações. Bruno Fernandes, por já estar presente no Onze Ideal, não entra para estas contas.


Guarda-redes:

Renan Ribeiro chegou em janeiro, viu e conquistou a titularidade na baliza estorilista, roubando o lugar a Moreira. O guarda-redes brasileiro sofreu 26 golos em 17 jogos (1530 minutos), o que está longe de ser um registo invejável mas que ainda assim é melhor do que o do concorrente, que em igual tempo de jogo encaixou 35.
Oriundo do São Paulo, o goleiro de 28 anos formado no Atlético Mineiro e com passagens pelas seleções jovens do escrete destacou-se, ainda assim, pela qualidade de jogo com os pés e pela velocidade a sair de entre os postes, características fundamentais para uma equipa que pretende jogar em bloco alto e construir desde zonas bastante recuadas. Segundo a imprensa desportiva, o Benfica está atento.
Ainda assim, menções honrosas a Muriel (Belenenses), Caio Secco (Feirense) e Jhonatan (Moreirense).


Centrais:


Naquele que foi o seu segundo ano de sénior em termos etários mas terceiro em termos práticos, esperava-se que Rúben Dias pudesse entrar timidamente na equipa principal do Benfica, aos poucos, aqui e ali. Nada mais errado. O jovem central aproveitou as ausências de Jardel e Lisandro López para se estrear ao lado de Luisão numa derrota no Bessa, a 16 de setembro, e agarrou o lugar no onze encarnado, precisando de pouco tempo para fazer esquecer Lindelof.  O apurado sentido posicional, a serenidade na saída de bola e a agressividade (que ainda precisa de saber dosear) são as principais características de um produto do Seixal que vai terminar a temporada no Campeonato do Mundo.



Bruno Viana chegou ao Sp. Braga por empréstimo do Olympiacos, mas o desempenho no Minho foi de tal forma bem conseguido que os bracarenses já exerceram a opção de compra, tendo desembolsado três milhões de euros pelos préstimos do central brasileiro de 23 anos. Fortíssimo de bater tanto à flor da relva como no jogo aéreo, o defesa formado no Cruzeiro também se fez valer nas alturas, tendo apontado quatro golos no campeonato, em 26 jogos.



Para Nélson Monte, à quarta é que foi de vez. Lançado no futebol sénior por Nuno Espírito Santo em 2014, foi precisamente esperar pela quarta temporada no plantel do Rio Ave para se assistir à afirmação do central natural de Vila do Conde – alinhou em 26 jogos no campeonato, menos um do que a soma das três épocas anteriores. O estilo implementado por Miguel Cardoso, que contemplava uma posse de bola em progressão desde o guarda-redes ao avançado, favoreceu as características do jovem defesa de 22 anos, que brilhou a sair a jogar. Com qualidades para dar o salto a breve prazo, precisará apenas de apurar os índices de concentração e agressividade e de impor o seu 1,87 m no jogo aéreo nas duas áreas – ainda não marcou qualquer golo enquanto sénior - para se tornar um jogador de clube grande.
Menção honrosa a Osorio, que durante a primeira metade da época se exibiu a um nível bastante elevado no Tondela, antes de se mudar para o FC Porto e praticamente não mais jogar.


Laterais:



Qualquer jogador contratado por um dos três grandes deposita sempre expetativas, mas as primeiras impressões de Cristiano Piccini não deixaram propriamente grandes expetativas. O lateral italiano recrutado ao Betis por quase três milhões de euros mostrava ser muito consistente defensivamente, até pela altura (1,89 m) – fator que Jorge Jesus muito aprecia nos laterais -, mas algo limitado a atacar. Contudo, assim que se foi soltando, exibiu capacidade ofensiva, tendo rubricado duas assistências, diante de Desp. Aves e Desp. Chaves, ambas em Alvalade e para Bas Dost.



O futebol atrativo do Rio Ave também beneficiou Yuri Ribeiro, jovem lateral cedido pelo Benfica que suplantou a concorrência de Bruno Teles. O internacional sub-21 português foi uma autêntica locomotiva no corredor esquerdo dos vila-condenses, tendo participado em 25 jogos no campeonato, dos quais apenas um não foi enquanto titular. Na retina ficou a grande cavalgada que culminou num golo ao Boavista, em janeiro. Deverá integrar o plantel encarnado na próxima época.
Menção honrosa a Lumor, pelo que fez durante a primeira metade da época no Portimonense. Depois transferiu-se para o Sporting e desapareceu.


Médios:


Oriundo do Vilafranquense (Campeonato de Portugal) e com passagem pela formação do Benfica, Alfa Semedo chegou esta época à I Liga pela porta do Moreirense e pegou de estaca na equipa, tendo participado em 28 jogos no campeonato, 27 a titular. Com grande capacidade na construção de jogo, agilidade, velocidade e estampa física acima da média (1,90 m), este médio de 20 anos mostrou ainda ser forte nos duelos (aéreos e à flor da relva) e rápido a recuperar a posição. Sérgio Vieira, seu treinador durante parte da época, disse que ainda o ia “aplaudir na seleção nacional”.
Pedro Sá (Portimonense) e Falcão (Desp. Aves) foram outros dos centrocampistas defensivos que se revelaram no decorrer da temporada.



Cerebral e artista, só a forma como Lucas Evangelista trata a bola, com aquele jeito açucarado tão típico dos nativos de terras de Vera Cruz, deixa água na boca. Os seus passes precisos, a capacidade para proteger a redondinha e o rendilhado drible curto deliciaram os seguidores do futebol português. Mais: é um especialista em remates de meia distância, livres diretos incluídos. À tal precisão de passe, o médio brasileiro de 23 anos acrescenta um critério que visa a progressão no terreno e a entrada da bola no espaço vazio. Às capacidades de drible, remate e para segurar a bola, junta o discernimento necessário para decidir entre acelerar ou pausar o jogo, queimar linhas ou contemporizar, mastigar um pouco mais os ataques ou alvejar a baliza. Emprestado pela Udinese ao Estoril, alinhou nas 34 jornadas do campeonato – marcou quatro golos, dos quais três de fora da área - e não merecia descer de divisão.
Apesar de a presença de Lucas Evangelista neste onze ser indiscutível, há que fazer alusão à boa época de Filipe Chaby no Belenenses e ao bom arranque de temporada de Paulinho no Portimonense.


Atacantes:


Quando se fala em revelações da edição 2017/18 da I Liga, o nome de Shoya Nakajima é um dos primeiros que vem à cabeça. Extremo esquerdo de posição, o japonês de 23 anos foi fazendo estragos através das diagonais para zonas interiores, em velocidade e com qualidade técnica e de execução. No campeonato, apontou dez golos e fez outras tantas assistências que o catapultaram para a estreia pela sua seleção e consequente chamada ao Mundial 2018.



Da II Liga a melhor marcador português da I Liga e pré-convocado para o Campeonato do Mundo, eis a história de Paulinho. Oriundo do Gil Vicente, foi titular em 22 dos 30 jogos que disputou numa equipa como o Sp. Braga e apontou 13 golos na prova. Esquerdino, móvel e possante (1,87 m), impôs-se perante a concorrência de Dyego Sousa e Hassan, dois avançados que já tinham dado provas de grande qualidade em Portugal.



Depois de seis temporadas algo discretas na II Liga, Fabrício explodiu quando chegou ao patamar maior do futebol português. O avançado brasileiro de 28 anos foi o melhor marcador fora do círculo dos três grandes, com 15 golos, beneficiando do estilo ofensivo do Portimonense de Vítor Oliveira, quinto ataque mais concretizador da I Liga. Ponta de lança bastante completo, dotado de força física, qualidade técnica, facilidade de remate, mobilidade e capacidade para jogar de costas para a baliza, é mais do que um mero finalizador, participando ativamente na construção e definição das jogadas.
No que concerne ao lote de atacantes, menções honrosas a Joel (Marítimo), Allano (Estoril), Mabil (Paços de Ferreira) e Tabata (Portimonense).


Treinador:

Naquele que foi o seu primeiro ano enquanto treinador principal na alta-roda do futebol, Miguel Cardoso levou o Rio Ave a igualar a melhor classificação de sempre do clube na I Liga, o 5.º lugar, algo que o emblema de Vila do Conde tinha conseguido apenas por uma vez, há 36 anos. Mas o mérito do técnico de 45 anos, que tinha passado as quatro anos anteriores no Shakhtar Donetsk, não se esgota na classificação obtida. Os rioavistas praticaram um futebol bastante atrativo, de pé para pé, através de uma posse de bola em que participavam os 11 jogadores, em largura e profundidade. Cássio, Marcelo, Nélson Monte, Yuri Ribeiro, Pelé, João Novais, Rúben Ribeiro ou Guedes foram alguns dos futebolistas que saíram valorizados com esta ideia de jogo romântica, que em alguns momentos saiu cara por ser levada ao exagero.












Sem comentários:

Enviar um comentário