terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Real dimensão de Gonçalo Paciência ainda por apurar

Gonçalo Paciência representou Portugal diante dos EUA
Gonçalo Paciência é um nome no qual os adeptos do FC Porto e da Seleção Nacional depositavam grandes expetativas, até pela escassez portuguesa no que a pontas de lança diz respeito. Numa fase em que já se começava a falar do filho de Domingos como uma promessa adiada, surge a primeira internacionalização, ainda que em condições anormais, mas no culminar de um bom início de época no Vitória de Setúbal.

Esse bom arranque tem vindo a contrastar com o da equipa e, de repente, o recém-consagrado internacional AA volta a ver-se num contexto de um conjunto de bloco médio/baixo, pouco volume ofensivo e acompanhado por colegas intranquilos e pouco confiantes. Enfim, um conjunto de condicionantes a fazer lembrar o que viveu há dois anos na Académica, que não lhe permitem um desenvolvimento mais acelerado e que não deixam perceber qual a real dimensão do futebol dele.


O que se vai vendo é um avançado habilidoso e lutador, que muitas vezes é utilizado para ser lançado em profundidade e segurar a bola enquanto os companheiros sobem no terreno para dar apoio. Isso, não haja dúvidas, Gonçalo faz muito bem. Não é por acaso que é consensualmente considerado uma das figuras (se não mesmo a principal figura) dos primeiros meses de temporada da turma de José Couceiro.

Contudo, o contexto de equipa grande é necessariamente diferente. Não haverá profundidade para explorar, devido ao bloco baixo apresentado pela maioria dos adversários, nem subidas de companheiros para contemporizar, pois o coletivo já se encontra instalado no meio-campo contrário.

Haverá, sim, um ritmo mais elevado, decisões mais complexas e rápidas a tomar e menos toques na bola de uma só vez: uns poucos de costas para a baliza e outros tantos em situação de finalização. E é sobretudo nesta segunda variante, a mais importante para os pontas de lança, que residem as principais dúvidas em torno deste jovem de 23 anos, cujos dotes de finalizador parecem estar aquém das qualidades mais evidenciadas por ele: velocidade, qualidade técnica e capacidade de segurar a bola.

É verdade que já esteve no Rio Ave e no Olympiacos, e que não se deu bem em ambos os lados, mas a curiosidade em vê-lo regularmente numa equipa de dimensão um pouco superior, com outro tipo de futebol, permanece intacta.






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