segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Acabar com os bês não é solução

Sporting B está a atravessar enormes dificuldades
Face ao possível cenário de despromoção ao Campeonato de Portugal, durante as últimas semanas tem sido muito badalada a hipótese do término da equipa B do Sporting. Uma folha salarial tão volumosa não é, para os responsáveis leoninos, compatível com a participação numa liga não profissional.

A confirmar-se, seria um regresso ao passado. Um passado onde, sem acompanhamento assíduo e métodos de treino de alto nível, os ex-juniores dispersavam por clubes como Casa Pia, Olivais e Moscavide, Real ou Fátima. Poucos, por força de um talento inquestionável, voltaram para singrar em Alvalade. Mas muitos - sublinhe-se muitos -, morreram para o futebol de alta roda. Ou então, quando lá chegaram, já eram considerados velhos.

O regresso das equipas B permitiram que os jovens craques pudessem rodar na competitiva II Liga, sob vigilância de treinadores e responsáveis das principais formações, métodos de treino a visar a alta performance e com a presença em treinos e jogos do plantel principal no horizonte. Nessas condições, no espaço de três/quatro anos apareceram João Mário, Rúben Semedo, Gelson Martins, Carlos Mané, Bruma, João Palhinha, Francisco Geraldes, Matheus Pereira ou Podence. Tudo jogadores que, no mínimo, conseguiram aparecer na I Liga e com algum destaque. E se utilizar outros clubes como exemplo, cedo se percebe que estes quatro anos foram proveitosos do que os seis ou sete anteriores sem bês.

Para evitar dar um tiro no pé, o Sporting deve, em primeiro lugar, redobrar esforços para evitar a despromoção da sua formação secundária. Ainda nada está perdido. Duas ou três vitórias seguidas vão permitir tirar a cabeça debaixo de água. A tarefa, ainda que bem complicada, pode servir de desafio a um conjunto de jogadores que, se o campeonato estivesse a correr como habitualmente, estaria a jogar sem qualquer pressão. E esta é a perfeita - mas perigosa - oportunidade para ganhar o hábito de jogar sob pressão.

No entanto, em caso de se confirmar a descida de divisão, não restará outra hipótese aos responsáveis leoninos que não seja voltar o mais rápido possível à II Liga. A ausência de um espaço que assegure a transição dos juniores ao plantel principal não só terá efeitos a curto prazo, com os ‘canteranos’ mais velhos a andarem dispersos e perdidos por vários clubes com condições medianas, como afetará o recrutamento. Afinal, sabendo-se da existência de bês em emblemas de dimensão similar, continuar a preferir o Sporting será um risco maior.  






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