domingo, 22 de novembro de 2015

Neymar, o tal que não passava de uma invenção dos brasileiros

Há dois anos na Europa, Neymar já é figura de proa no Barça
Apareçam. Assumam. Identifiquem-se. Falo para todos aqueles que ontem bem desdenharam mas hoje dariam tudo para o comprar. Não convencidos dos relatos que chegavam do Brasil e sem dar importância ao que Neymar ia mostrando no Santos e na seleção, mesmo em competições importantes, iam dizendo que se tratava de uma invenção dos brasileiros para a promoção do Mundial-2014.

«Lucas Moura e Óscar são mais promissores do que ele», cheguei a ouvir. Atualmente o primeiro é presença assídua no banco do PSG. O segundo tarda em explodir no Chelsea, onde já nem sempre é titular.


«Na América do Sul passa pelos defesas como quer, mas os do futebol europeu não lhe vão dar hipóteses», atiravam outros críticos. Pois bem, não só espalha magia contra equipas como o Elche, Granada ou Eibar, com todo o respeito como elas merecem, como o faz diante do Real Madrid, Juventus, Manchester City ou Bayern.

Eu, que ainda o vi um par de vezes pelo peixe e mais alguns pelo escrete, fiquei imediatamente rendido ao (agora ex-) moicano. Muita vaidade, é verdade, muito show-off, não digo o contrário, mas um futebol rendilhado que agarra qualquer espetador ao ecrã – sorte dos que já o viram ao vivo. Cada drible, cada livre, cada passe, tem estilo próprio, é de alguém que desfruta do jogo. Fá-lo com tanto prazer que há quem entenda que as suas fintas são atos provocatórios. Que o diga Isco, que no clássico de ontem entre Barcelona e Real Madrid, não teve paciência para os malabarismos do brasileiro e atingiu-o a pontapé.

Mas o futebol não é um circo e os argumentos de Neymar não se esgotam no samba que tem nas botas. Sim, nas botas, porque também joga muito bem com o pé esquerdo. Na época de estreia na Europa apontou 15 golos (em 41 jogos) em todas as competições. Chegou para calar alguns detratores, mas ainda deixou dúvidas noutros. Seguiram-se 39 remates certeiros (em 51 encontros) na temporada passada, que aliados ao triplete – I Liga, Taça do Rei e Liga dos Campeões – que ajudou a conquistar, silenciou os críticos que restavam. Mas esta época ainda está a ser capaz de ser melhor, aproveitando a ausência de Messi: 14 golos em 15 jogos, liderando neste momento a tabela de melhores marcadores do campeonato.

Pela canarinha, já soma 46 tentos em 69 partidas. Aos 23 anos, já é o quinto melhor marcador de sempre de uma seleção que é pentacampeã mundial, apenas superado por Zico (48), Romário (55), Ronaldo (62) e Pelé (77). O céu é o limite.

E se tem o seu ego e a sua vaidade, há que lhe tirar também o chapéu pela forma como se entende com a pulga e Suárez, tendo a maturidade para perceber de que, mais do que se superiorizar aos companheiros, pode com eles formar um trio letal. Já foram várias as vezes em que, com toda a humildade e genuinidade, reconheceu ser fã do argentino.

Apareçam. Assumam. Identifiquem-se. O pódio na Bola de Ouro é uma realidade. Não há como não ser fã de Neymar.






3 comentários:

  1. Completamente e a verdade é que começa a ter números para ombrear realmente com Ronaldo e Messi na luta pela Bola de Ouro.

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  2. Já incluí o seu link na lista do futebol-bonito. Agradeço reciprocidade. Abraço

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