segunda-feira, 16 de março de 2015

Quando o resultadismo não... resulta

ligaportugal.pt
É praticamente unanime que o regresso das equipas B ao futebol português tem sido uma enorme mais-valia, sobretudo tendo em conta o espaço destinado a elas, a Liga 2, uma prova profissional.

O objetivo das mesmas é sustentar o futuro das formações principais, mas como deverá ser, de facto, a sua utilização? Qual deverá ser a filosofia de cada uma? Garantir os três pontos no final do dia será mesmo o mais importante?


Um treinador estará sempre sujeito às críticas dos maus resultados, mesmo que esteja a desenvolver um bom trabalho noutras vertentes. Olhemos para o Sporting B, por exemplo. Rabia e Ryan Gauld são jogadores que ainda se estão a adaptar ao futebol português e àquilo que é o estilo de jogo de uma equipa grande num campeonato europeu. Mas trouxeram os vícios dos seus países.

O escocês, por exemplo, vem de uma nação onde ainda se aplica o velho estilo britânico do kick and rush, coisa que até em Inglaterra começa a cair em desuso. Talvez muitas vezes sinta a tendência de bombear bolas para a frente de ataque, mas teve de aprender que o que se pretende dele é um contributo para um futebol de toque e circulação. Durante essa aprendizagem, terá cometido erros e terá custado caro à equipa. Mas quem se lembrará disso se começar a justificar a alcunha de baby Messi?

E se olharmos para uma equipa bem classificada, será que assistimos lá a situações dessas? Será que vencer se torna mais importante do que qualquer outra coisa? Lembro-me que a tal seleção portuguesa vice-campeã mundial de sub-20 em 2011 tinha como principal virtude a cultura tática. E qual desses jogadores está hoje na elite? Nenhum mesmo. Quantos desses chegarão à seleção AA? Cédric e Nélson Oliveira, não porque eram propriamente os melhores, mas porque naquele momento, eram os menos maus nas respetivas posições. A formatação é inimiga da formação. A chamada cultura de vitória não resulta se os talentos não forem minuciosamente e individualmente trabalhados.

O resultadismo na formação pouco vale, e até dou dois exemplos, um mais gritante que o outro. Os dois clubes que mais se alimentam das equipas B têm sido Vitória de Guimarães e Marítimo. Os insulares, mesmo quando tinham formação secundária a meio da tabela na II divisão B, tinham sucesso na utilização do seu viveiro de craques. Já os vimaranenses, que estão a ter grande retorno desportivo dessa aposta na presente temporada, foram os únicos que, para já, já viram os seus bês descer ao CNS.

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