terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Que Nigéria é esta?


Ao ter vencido a CAN 2013, na África do Sul, as “Super Águias” poderão estar de volta. Mas afinal, que Nigéria é esta?
                                      

Após um prometedores anos 90, com triunfos na CAN 1994 e nos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, e o despertar de talentos como Jay-Jay Okocha, Taribo West, Emmanuel Amuneke ou Rashidi Yekini, os nigerianos quase que desapareceram do grande mapa futebolístico, com participações discretas em Mundiais e nas Taças das Nações Africanas no século XXI.

Em 2013, com um conjunto de jogadores jovens e quase todos a atuar na Europa, Stephen Keshi, que já tinha vencido o principal torneio de seleções do continente africano como jogador (em 1994), conseguiu-o também fazer na pele de selecionador.

Para isso, mantendo essencialmente o sistema tático 4x2x3x1, conseguiu o apuramento no Grupo C, atrás do Burquina Faso (que posteriormente derrotara na final, por 1-0) e à frente da ex-campeã Zâmbia e da modesta Etiópia.
Nos quartos-de-final, eliminou a favorita Costa do Marfim (2-1) e nas meias “despachou” o Mali (4-1).

Atendendo àquele que foi o onze base nos últimos encontros, na baliza apresentava-se Enyeama (Maccabi Telavive), guarda-redes seguro, de qualidades confirmadas, por exemplo, no Mundial 2010.

Nas laterais, do lado direito, Ambrose (Celtic) é sobretudo um jogador consistente, sem muito pendor ofensivo, ao contrário de Elderson (Sp. Braga), que dava bastante mais profundidade ao seu flanco, e até marcou um golo nas meias-finais.

Onze-base da Nigéria na CAN 2013
No eixo defensivo jogavam dois jogadores praticamente anónimos nos principais holofotes futebolísticos, Omeruo (ADO Den Haag) e Oboabona (Sunshine Stars), que formaram uma dupla bastante sólida durante a competição, não parecendo que o primeiro jogava num modesto clube holandês (ainda que emprestado pelo Chelsea) e o outro ainda no campeonato nigeriano.
Só para reforçar a qualidade destes dois, convém referir que fizeram com que o experiente e consagrado Yobo (Fenerbahçe) se sentasse no banco de suplentes.

No miolo, no duplo “pivot” defensivo atuava o rotativo e empreendedor Onazi (Lazio) e também Obi Mikel (Chelsea), que apesar de no seu clube ser criticado por ser um trinco que não revela grande capacidade para seguir a jogar, na seleção assume um papel fundamental na construção de jogo.
À frente deles, como “10”, estava Sunday Mba (Warri Wolves), que embora também ainda atue no principal escalão do seu país, tem características muito semelhantes às dos outros dois médios, e foi decisivo ao marcar o único golo da final.

E por último, temos o tridente atacante, constituído por três talentosos futebolistas que representam clubes de algum respeito. Nas alas, a velocidade e capacidade técnica eram das principais armas de Moses (Chelsea) e de Brown (Dínamo Kiev), habituais titulares, assim como Musa (CSKAMoscovo), que normalmente entrava na segunda parte.
No eixo do ataque, embora tenha falhado a final por lesão, o incontornável e trabalhador Emenike (Spartak Moscovo), que apontou quatro golos na competição e que possui um físico robusto, qualidade técnica e capacidade de finalização.

Parece ser esta a matriz de uma Nigéria que exibiu qualidade ao longo do torneio, e que tem uma geração jovem, muito talentosa e que ainda irá amadurecer e dar cartas no futuro, e quem sabe, pode dar este ano, na Taça das Confederações, um “cheirinho” do que poderá fazer em 2014, no Mundial do Brasil, caso se qualifique.

Estaremos nós perante uma geração de ouro? Será esta a primeira seleção africana a atingir o pódio de um Campeonato do Mundo? A resposta estará guardada para os próximos anos.

2 comentários:

  1. O irmão do obi mikel e o gajo do west bromwich tambem sao bons

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    1. Tenho boas referências de Peter Odemwingie (extremo) pelo pouco que vi, creio que não foi convocado porque foi afastado devido ao processo de renovação da seleção.

      Quanto ao irmão do Obi Mikel, quem é? Não conheço.

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