sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O perfil sebastianista do futebol português

Será Silvestre Varela o novo mito?

Desde que D. Sebastião desapareceu na Batalha de Alcácer-Quibir, em 1578, que se criou o mito que ele voltaria, num dia de nevoeiro, para salvar o país.


Mais de quatrocentos anos depois, o mito continua presente na política, não à espera de O Desejado, mas de um homem com o seu perfil, jovem e bem-parecido, e talvez por isso, talvez não, José Sócrates e Pedro Passos Coelho, que parecem corresponder a esses requisitos, foram os últimos primeiros-ministros a serem eleitos, ainda que sem os efeitos desejados.

No futebol português, parece também existir um mito com algumas parecenças, mas com um perfil diferente: o herói é um jovem negro originário dos PALOP.

Tudo terá começado com Eusébio nos anos 60 (ou então com Matateu, uma década antes), que ajudou, através de inúmeros golos, o mais popular clube português, Sport Lisboa e Benfica, a conquistar a sua segunda Taça dos Campeões Europeus, vários campeonatos e taças nacionais, e a seleção das quinas a qualificar-se pela primeira vez na sua história para um Campeonato do mundo, em 1966, tendo terminado em 3º lugar, com o “Pantera Negra” a sagrar-se o melhor marcador da competição disputada em solo inglês.

Podia escrever um livro só a falar dos seus feitos, não cabem apenas em uma página de jornal, mas centremo-nos no que realmente importa: Já no séc. XXI, Pedro Mantorras, internacional angolano, com o tal perfil, foi contratado pelo Benfica. Jogador com grande habilidade e com problemas físicos que lhe destruíram a carreira, no entanto, mais habilidosos e com melhor registo pisaram o relvado do Estádio da Luz, assim como outros atletas que por lá passaram acabaram por ter uma carreira abaixo das expectativas, fruto de lesões, mas ainda assim, nenhum outro conseguia reações tão ruidosas aquando da sua entrada em campo e reunir a crença dos adeptos em como marcaria um golo que resolveria o jogo, e por vezes até o conseguia. Porquê tudo isto com ele e não com outro?

No corrente ano, em pleno EURO 2012, num encontro frente à Dinamarca, em que Cristiano Ronaldo não esteve muito inspirado, Paulo Bento resolveu colocar em campo Silvestre Varela, nascido em Cabo Verde, um futebolista rejeitado pelo Sporting, que o formou, e suplente habitual no FC Porto, a sua atual equipa, mas que cumpre os requisitos para o perfil que já indiquei. Nos últimos minutos do jogo, com 2-2 no marcador, Varela falhou a primeira tentativa de remate de forma que até pareceu algo “tosca”, mas à segunda, marcou o golo decisivo. Mesmo sem deslumbrar por cada vez que tocava na bola, virou herói nacional, e continua a ser muito aplaudido por cada vez que o selecionador o faz “saltar do banco”. E o mito continua…


Foto: A Bola. PT

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