sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Entrevista a Bruno Costa (Barreirense)


Nome: Bruno Manuel Durão da Costa

Data de Nascimento: 29 de Agosto de 1974 (38 anos)

Naturalidade: Alhos Vedros, Moita

Nacionalidade: Portuguesa

Posição: Defesa-central

Altura: 188 cm

Peso: 83 kgs

Clube atual: FC Barreirense (desde 2011/12)

Clubes anteriores: FC Barreirense (1993/94 a 2001/02 e 2006/07), Penafiel (2002/03), Louletano (2002/03), União Micaelense (2003/04 e 2005/06), Torreense (2003/04), Pinhalnovense (2004/05 e 2005/06), Caniçal (2007/08 e 2008/09) e Olímpico Montijo (2009/10 e 2010/11).




BARREIRENSE

David Pereira – Quais são as principais diferenças que encontrou no clube, entre a primeira vez que o representou (da década de 90 até 2002) e agora? Sente que com as sucessivas descidas de divisão e a mudança de estádio fizeram-no perder alguma mística?
Bruno Costa - As diferenças ao nível de infraestruturas são bem visíveis, não existe comparação possível embora o Barreirense tenha no presente uma Academia para o futebol de formação do clube que é uma mais-valia em relação ao que nós tínhamos na altura (treinávamos no pelado da Verderena ou então íamos para a "Escavadeira" a pé)... De facto o clube está a tentar renascer mas as pessoas têm que se mentalizar que o percurso vai ser longo e tem de ser feito lentamente porque novos passos mal dados poderão pôr novamente em causa a sobrevivência do clube...É evidente que o velhinho campo D. Manuel de Melo fazia e muito parte da mística barreirense pois transportava consigo toda uma história do clube, grandes jogadores o frequentaram, grandes grupos de trabalho usufruíram desse espaço, grandes vitórias do clube se protagonizaram nele... A sua localização mesmo perto do centro da cidade, a maneira como estava construído com o público muito perto dos atletas, as curtas dimensões do terreno de jogo, o emblemático túnel, etc... Tudo fazia parte da mística barreirense, agora a minha opinião é que de facto o antigo campo estava de facto com grandes danos estruturais (quer nas bancadas, como nos balneários, no posto médico, na rouparia, etc...) e tinha de ser feito algo para que no futuro o clube tivesse um espaço desportivo para a prática do futebol e se possível com melhores condições. Porque se de facto o atual campo da Verderena tivesse ficado como seria para ficar, acredito que todos os barreirenses iriam sentir orgulho nele e provavelmente hoje em dia nem se falaria muito do Campo D. Manuel de Melo. O problema é que aconteceu a demolição do campo D. Manuel de Melo e não se construiu o novo campo, as equipas de futebol sénior do clube tiveram duas descidas de divisão seguidas, depois o futebol sénior teve um ano a jogar no pelado da Verderena e um ano a jogar em campos alugados (Paio Pires, Quintajense, Rosário, etc..) o que afastou muitos sócios e adeptos de acompanharem o clube, as constantes noticias das dificuldades do clube, etc... tudo isso foi afastando e desacreditando um pouco todos os barreirenses. É normal que as pessoas identificassem um pouco o Barreirense mais pelo seu campo e pela presença habitual nas competições nacionais onde estavam inseridos, mas a mística do barreirense nunca desaparecerá e desde que o clube esteja rodeado por verdadeiros barreirenses e gerido por pessoas competentes e honestas a "chama" da esperança e da fé do clube estará sempre acesa à procura de conquistas.


DP – Algum clube se mostrou interessado nos seus serviços na temporada que se avizinha, tentando desviá-lo da renovação pelo Barreirense?
BC - Tive três abordagens de clubes do nosso distrito, o que me deixou honrado, aos quais simpaticamente agradeci e esclareci que a minha ideia desde que consegui regressar ao Barreirense sempre esteve bem definida.


DP – O que lhe pareceu os reforços para esta época? O que cada um deles pode trazer de novo à equipa?
BC - Relativamente aos reforços ainda não deu para ver muita coisa, pois os treinos nesta altura estão praticamente virados para a componente física. De qualquer forma no pouco que me apercebi penso que o David Pinto (bom tecnicamente), o Marcio Diéb (veloz e desequilibrador), o Lampreia (forte fisicamente e com atitude) são jovens com qualidade suficiente para nos ajudarem nos nossos objetivos... O Monzelo dispensa de apresentação, pois é sem duvida um atleta e um homem que nos irá ajudar e muito com o seu valor futebolístico e a sua experiência... os ex-juniores que eu já conhecia da época passada, o Fábio Fragoso e o Ivan Tavares a quem lhes auguro um futuro promissor caso continuem a trabalhar com a mesma humildade e seriedade como o tem feito pois reconheço neles qualidades futebolísticas para isso. No fundo, espero que todos eles consigam ser felizes aqui no clube desfrutando do prazer de jogar futebol dignificando e honrando o clube ao máximo e que eles próprios depois no futuro tirem dividendos da época eventualmente positiva que venham a fazer.


DP – Quais são os objetivos do coletivo para 2012/2013? E os seus em particular?
BC - Dos atletas passa por darmos o nosso melhor em cada jogo que iremos fazer, querendo nós sair de consciência tranquila em todos os jogos pois quem enverga esta camisola tem de sentir uma grande dose de responsabilidade e seriedade na abordagem a todos os desafios. Os meus são praticamente idênticos aos da equipa, sabendo que com toda a naturalidade tenho a função de continuar a transmitir os valores e a mística barreirense.


DP – O facto de o Campo da Verderena ainda não ter balneários e de a equipa poder ter que jogar num outro recinto, poderá atrapalhar o concretizar desses objetivos?
BC - Em relação a essa situação do campo foi nos dito pela voz do Presidente no dia da apresentação que muito provavelmente só não iríamos jogar na Verderena nos 3 primeiros jogos das provas oficiais desta época, como tal se assim for não vejo razões para alarmismos. Se isso não acontecer, aí sim penso que será negativo porque já tínhamos conquistado novamente o apoio de muitos sócios e adeptos e não estou a ver (espero me enganar) todos eles a nos acompanharem para qualquer campo alugado que joguemos. No entanto penso que a nossa direção tem conhecimento disso perfeitamente e estará a mover-se no sentido de pôr a equipa a jogar perante os seus adeptos na sua própria cidade o mais rápido possível.


DP – Sente saudades do Campo D. Manuel de Mello?
BC - Recordo com nostalgia os muitos e bons momentos vividos no D. Manuel de Melo. Foram anos magníficos mas… que passaram! Porque o futuro do F.C. Barreirense passa pela Verderena e pela conclusão do campo, mais respectivamente dos balneários, do posto médico, da rouparia, da iluminação, das bancadas e do muro em volta do campo… Porque se isso acontecer não tenho duvidas que o Barreirense irá voltar ao lugar que merece, sem necessidade de se cometer erros financeiros para tal fim.


DP – Pensa que algum dos seus colegas do Barreirense tem capacidade para ambicionar ainda jogar em campeonatos profissionais? Se sim, quem?
BC - Sim, na minha perspetiva temos pelo menos três jogadores que para mim podiam já perfeitamente integrar outros plantéis noutros campeonatos de divisões superiores. O Vasco Campos para mim é um jogador que jogava na grande maioria das equipas da Liga de Honra e algumas da I Divisão, o Miguel Gomes é um jovem com muito potencial que se continuar a evoluir como até aqui também pode aspirar a outros patamares, o João Bailão é um jovem com muita qualidade técnica e tática que encaixaria em muitas equipas de escalão acima do nosso... Depois vou esperar para ver pela evolução de um João Racha (um pé esquerdo excelente mas falta-lhe consistência e um pouco de agressividade)...Temos ainda mais uns jovens com qualidade (Lampreia, Márcio Diéb, David Pinto, Ivan Tavares, Fragoso, Jorge Palma, Kaká e Daniel Lourenço) que precisam de ganhar "estaleca" treinando e jogando para continuarem a sua evolução futebolística. Podia em termos de qualidade falar noutros colegas meus também, mas penso que não pela idade mas acima de tudo pelas suas vidas profissionais que não iriam equacionar fazerem mudanças para um local onde o profissionalismo fosse maior e as exigências horárias também.


DP – O Bruno já tem imensos anos de casa, e é dos mais experientes do plantel. Sente-se uma espécie de capitão sem braçadeira?
BC - Entendo a tua questão. Primeiramente é normal (digo eu) que um atleta que tem 17 épocas no clube (talvez já tenha realizado 500 jogos com a camisola do Barreirense), que já viveu inúmeras épocas ao serviço deste clube sinta o clube de uma maneira totalmente diferente e sinta também uma maior responsabilidade para com o clube que outros colegas meus. Não me sinto um capitão sem braçadeira e nem quero falar muito sobre isso, até porque o nosso capitão David Martins merece o meu maior respeito e representa esse cargo na equipa com muita dignidade. A mim compete-me á semelhança do ano passado contribuir com a minha experiência, honestidade e amizade (transmitindo alguns valores existentes do clube) para o bom funcionamento e bom ambiente no grupo de trabalho, porque o mais importante são os interesses do clube.


DP – Quais as principais qualidades de Duka enquanto treinador?
BC - As principais qualidades são idênticas às de quando era jogador - Honesto, Frontal, Carácter!

DP – Que opinião tem sobre a massa associativa do Barreirense, e em particular, sobre a claque, a Brigada Camarra?
BC - A massa associativa barreirense sempre foi e sempre será exigente, o que acaba por ser natural num clube com o seu historial. Mas até essa exigência dos barreirenses faz parte da mística do clube. Sobre a Brigada Camarra, já lhes agradeci pela iniciativa de formarem uma claque para apoiarem o clube. Lembro-me de á uns anos a célebre Brigada Roulotte nos apoiar em massa no D. Manuel de Melo, a camisola do Barreirense ocupava uma grande parte da bancada... O apoio era fantástico e frenético! E espero que de futuro o mesmo possa se dizer da Brigada Camarra, eles que tem grande mérito por se organizarem e resolverem apoiar o clube quando este se encontrava numa crise desportiva. São jovens e são dinâmicos e a eles lhes agradeço novamente todo o acompanhamento dado á equipa ao longo da época passada esperando que o mesmo continue para esta época. Mas também tenho a noção de que nos tempos que correm se não tiverem algum apoio (logístico ou financeiro) será difícil crescerem como claque organizada ou mesmo até se manterem.


DP – O Barreirense vai jogar na Série E. Pensa que será desportivamente mais benéfico?
BC - Penso que é opinião unânime que a Serie E é mais favorável financeiramente para o F.C. Barreirense. No aspeto desportivo não sei, até porque não tenho muitos conhecimentos sobre as equipas da III Divisão tanto na Serie E como na Serie F para poder dar uma opinião válida.


DP – Curiosamente, na primeira jornada, encontrará o Amora, que ficou em 3º lugar na época na Distrital de Setúbal. Como é para vocês, que lutaram até ao último jogo pela subida, taco-a-taco, com o Vasco da Gama de Sines, sempre com uma margem de erro reduzida, verem o Amora a subir pelas razões que se conhecem?
BC - Para nós é nos completamente indiferente a maneira como o Amora subiu. Isso são situações que nos ultrapassam, o que posso dizer é que o Amora era uma das melhores equipas da distrital do ano passado e se manterem a mesma equipa irão ser uma agradável surpresa para muita gente. Mas penso que todos concordarão que tem muito mais prazer para todo um grupo de trabalho e é muito mais meritório para um clube subir terminando a época no 1º lugar da tabela classificativa e receber as respetivas medalhas e troféus enriquecendo o palmarés tanto do clube como dos atletas.


DP – Esta época, será travado o “derby” do Barreiro. Com tantos anos de Barreirense, esta será a primeira vez que enfrentará o Fabril em jogos oficiais. O que estas partidas terão de especial?
BC - Para mim será a primeira vez que irei defrontar o Fabril em provas oficiais. Certamente serão jogos em que todos os intervenientes procurarão dar o melhor de si, querendo ambos conquistar o mesmo objetivo que é a vitória.


DP – Mas antes de o campeonato começar, há um encontro para a Taça de Portugal contra o Oeiras. O que conhece dessa equipa? O plantel está confiante de que pode ultrapassar esse primeiro obstáculo?
BC - Para te ser sincero não conheço quase nada sobre o Oeiras. Conheço o valor de dois atletas o Nuno Abreu (que é meu amigo pessoal) e o Lima que são dois centrais muito experientes na defesa, fortes na marcação e no futebol aéreo e que transmitem uma grande atitude em campo aos seus colegas. O Oeiras subiu de divisão o que só por si já é um indicador da qualidade existente no plantel. O nosso plantel está acima de tudo confiante que pode fazer um bom jogo e queremos desfrutar do prazer de participar numa eliminatória da Taça de Portugal contra uma equipa de divisão superior o que também irá servir de um teste de dificuldade elevado para o nosso campeonato.


DP – Em 2010/2011, o Bruno subiu à III Divisão com o Olímpico do Montijo, e uma época depois, repetiu a façanha com o Barreirense. Qual foi a subida que lhe deu mais prazer? O que tiveram de diferente uma da outra?
BC - Essa pergunta é fácil de responder pois como é evidente uma subida de divisão pelo clube do nosso coração terá obrigatoriamente de dar muito mais prazer, embora tenha de reconhecer que os festejos da subida de divisão pelo Olímpico tenham sido mais intensos e tenha tido um envolvimento maior por parte dos adeptos aldeanos.


DP - O que sentiu nas ocasiões em que defrontou o Barreirense?
BC - É complicado de responder pois é um misto de sentimentos. Por um lado o nosso profissionalismo, o nosso carácter e responsabilidade em prol de uma equipa e dos seus objetivos e por outro um clube no qual crescemos e em que sentimos que fazemos parte dele. Deixa-me dizer-te que penso que defrontei o Barreirense por sete vezes. Uma quando estava no Louletano e vencemos no D. Manuel de Melo (0-1), duas vezes ao serviço do Pinhalnovense no qual perdemos no D. Manuel de Melo (2-0) e depois vencemos no Campo Santos Jorge (3-0) e as ultimas quatro vezes ao serviço do Olímpico do Montijo no qual perdemos uma vez, vencemos outra e empatámos por duas vezes. Como devem calcular nunca senti prazer em defrontar o Barreirense e muito menos festejar qualquer golo ou vitória sobre o mesmo.


CARREIRA

DP – Qual foi o melhor central com quem partilhou o eixo defensivo de uma equipa? E o guarda-redes que lhe transmitiu maior segurança?
BC - Tive o prazer de ter partilhado o eixo defensivo de algumas equipas com grandes centrais. Posso enumerar alguns como Duka, Kali, Carreira, Paulo Fonseca, Nuno Abreu e ultimamente Valter Fortes (que se não fossem as lesões teria certamente feito outra carreira desportiva)… Guarda-redes vou enumerar o Soares, o Paulo Renato e o Nuno Carrapato.


DP – Quais foram os atacantes de quem recorda os duelos mais intensos?
BC - Ao longo destes anos todos houve tantos duelos intensos que tive de enfrentar que é difícil e seria injusto destacar apenas este ou aquele adversário.


DP – Quais foram os melhores amigos que fez no futebol? E os melhores jogadores com quem partilhou o balneário?
BC - Fiz centenas de boas amizades na minha carreira mas destaco Nuno Abreu (atualmente no Oeiras), Tomás Monteiro (vive e trabalha na Suécia) e Miguel Sequeira (vive e trabalha em Moçambique)... Os melhores jogadores Hugo Cunha, José Pedro, Tomás, Pateiro, Pedro Xavier, Rui Dionísio e mais recentemente Héldon.


DP – Em 2002/2003, representou o Penafiel, então na Segunda Liga. Foi o momento mais alto da sua carreira? O que faltou para ter voltado a atingir esse patamar?
BC - Sim, no aspeto desportivo foi o ponto mais alto da minha carreira. Quando cheguei á II liga já tinha 27 anos, e depois de ter tido um desentendimento com o treinador do Penafiel da altura rescindi a meio da época e fui para o Louletano que representava a II B. Depois já começou a ficar "tarde" para regressar à II liga, penso mesmo que devia era ter chegado à II Liga mais novo mas também cometi erros que levaram a essa situação e por isso é que também sou mais exigente com os meus colegas mais jovens, para não cometerem os erros que cometi. Embora seja difícil porque com 20 anos pensamos que sabemos tudo e depois há oportunidades que só passam uma vez pela nossa vida.


DP – Nas temporadas de 2004/2005 e 2005/2006 jogou pelo Pinhalnovense, um clube de uma terra mais pequena, mas que tem sido nos últimos anos o segundo melhor representante do distrito de Setúbal no futebol sénior. Qual é o segredo para esse sucesso? E vendo as coisas de outra forma, o que pensa que tem faltado para subir aos escalões profissionais, como tem ameaçado por diversas vezes?
BC - O sucesso penso que acima de tudo deve-se ao aparecimento do Amândio Dias (ex-Presidente) na liderança do clube e também ao apoio financeiro que na altura a Câmara Municipal de Palmela dava ao clube. O Sr. Amândio Dias para além de ajudar financeiramente o clube era um excelente dirigente que exigia muita seriedade, rigor, atitude e ambição a todos os funcionários do clube. Depois a qualidade humana e futebolística existente nos plantéis que por lá tem passado aos quais tem faltado na reta final dos campeonatos serem mais regulares aliado como é evidente à falta da estrelinha da sorte.


DP – De todos os clubes por onde passou, qual foi o clube no qual se sentiu mais acarinhado? E qual foi a pior experiência?
BC - Mais acarinhado no F.C. Barreirense, Olímpico do Montijo e no Caniçal. A pior experiência desportiva foi obviamente no Penafiel pelo facto do problema interno que tive com a equipa técnica o que desde logo resultou na minha pouca utilização na II Liga (penso que fiz 9 jogos até Dezembro, altura em que rescindi). Mas convém dizer que tanto a direção como os seus adeptos sempre me trataram muito bem e deixei lá amizades.


DP – As lesões já condicionaram o seu percurso desportivo?
BC - Felizmente nunca tive lesões que me obrigassem a estar muito tempo inativo.


DP – Que treinador o marcou mais pela positiva? E pela negativa?
BC - Pela positiva o Mister Luis Norton de Matos (atualmente treinador do S.L. Benfica B) e Mister Jean Paul (atualmente coordenador da futebol jovem do Sporting Clube de Portugal), que já tinham metodologias de treino e um conceito sobre o futebol muito evoluídos para o que era hábito nessa altura nos treinadores de futebol e Mister José Rachão pela maneira extraordinária como "lia" o jogo do banco de suplentes e também pelo muito que me ensinou.
Há ainda os Misters Luís Vasques e Bandeira da formação.


DP – Porque tomou a decisão de aos 34 anos abandonar o profissionalismo?
BC - Porque por nessa altura o futebol a nível secundário começou a "estoirar" financeiramente e já não justificava estar completamente dedicado ao futebol e ser profissional dessa modalidade e também porque já tinha 34 anos e estava na altura de me agarrar a outra atividade profissional prevenindo o futuro.


DP – Quantos anos ainda veremos Bruno Costa a praticar futebol?
BC - Sinceramente não sei. Irá sempre depender da minha atividade profissional e da minha disponibilidade física e mental além dos níveis de motivação para os treinos e jogos. Uma coisa garanto, jamais me "arrastarei" dentro de campo!


DP – Depois de pendurar as botas, pretende seguir carreira de treinador, ou até mesmo de dirigente?
BC - Nunca pensei muito nisso sinceramente, tanto que nunca tirei o curso de treinador até aos dias de hoje. Gostava de continuar ligado ao desporto mas ainda não me debrucei sobre esse assunto para saber qual a secção que eu entendo que podia ser mais útil a um clube para transmitir muito da experiência e dos conhecimentos acumulados ao longo da minha carreira. Mas para já preocupo-me apenas em representar os interesses do clube o melhor que sei como atleta.


FUTEBOL NA ATUALIDADE

DP – Como avalia o fim da III Divisão?
BC - Eu concordo que algo tinha de ser feito pois a situação financeira dos clubes piorou e muito nos últimos anos devido a quebras das receitas, devido também aos elevados custos de deslocações das equipas, mais os elevados custos das inscrições dos atletas, devido ainda aos pagamentos das taxas de jogos e ao respetivo policiamento do recinto, á falta de apoios financeiros das autarquias e das empresas regionais, etc... Em 80% dos jogos em Portugal os clubes não tem receitas sequer para as despesas dos mesmos. Porém, penso que a transição para estes moldes competitivos não devia ser drástica porque sobrecarrega muito os clubes não justificando que em cada série subam apenas os dois primeiros e as restantes dez equipam desçam às distritais. Aliás, tenho o pressentimento que com esta alteração imediata a partir de Dezembro ainda mais clubes da 3ª Divisão não irão honrar os seus compromissos. Esperemos para ver...


DP – Como vê a situação de muitos clubes sem argumentos financeiros para continuarem a competir?
BC - Com muita apreensão e preocupação. Porque o desporto e principalmente o futebol em Portugal é uma atividade onde milhares de jovens ocupam os seus tempos livres e onde para além do proveito da prática do exercício físico tem também uma vertente educativa no crescimento dos jovens. Ora com muitos clubes a fecharem as portas isso vai se refletir em cada vez menos locais para os jovens praticarem futebol federado, ocupando o seu tempo livre fazendo o que gostam e na grande maioria na procura do próprio sonho. Porque nessa idade desde que conscientemente é bom sonharmos estabelecendo objetivos e lutarmos por aquilo que idealizamos seja em que área for...


DP – Sendo o Bruno natural do concelho da Moita, e tendo um percurso futebolístico no Barreiro, que opinião tem sobre o regresso do Banheirense?
BC - É um acontecimento que saúdo e que vejo com satisfação um regresso ao passado e à tradição do futebol na Baixa da Banheira onde nasceram grandes nomes do futebol português tendo no presente como chefe do departamento do futebol uma das grandes referências banheirenses no mundo do futebol "Jorge Martins". Desejo todo o sucesso para a estrutura diretiva da U. Banheirense que conseguiu este feito e um cumprimento especial ao Filipe Beja pelo seu esforço e dedicação total ao clube.


DP - Um dos seus ex-colegas no clube, Hugo Cunha, viria a ser um caso de morte súbita no desporto nacional. Na altura, como reagiu à notícia? Sente que os fantasmas relacionados com esses falecimentos espontâneos assombram as cabeças dos futebolistas?
BC - Na altura como deves calcular foi um grande choque a notícia e motivo de grande tristeza. Embora já não tivéssemos habitualmente porque ele depois de assinar pelo S.L. Benfica foi para o Campomaiorense, seguidamente esteve para aí umas quatro épocas em V. Guimarães e depois foi para o U. Leiria, ou seja, perdemos um pouco o contacto mas quando nos víamos recordávamos sempre os anos magníficos em que fomos colegas no F.C. Barreirense e falávamos como estava o presente de cada um de nós o que é habitual acontecer entre colegas de equipa. Para além de um grande atleta era sem dúvida alguma um extraordinário Ser Humano com uma grande personalidade e o seu falecimento deixou-nos muito mais pobres em termos humanos. Os atletas assim como a grande maioria das pessoas das várias áreas profissionais e na vida quotidiana só pensamos e nos lembramos dessas situações quando acontece algo fatídico no momento. Mas não é só no desporto que acontece essas situações... Podemos tomar atitudes preventivas (exames regularmente, ter mais atenção com o estilo de vida que se leva, etc...) mas o corpo humano é muito complexo e como eu costumo dizer que há coisas inexplicáveis que acontecem e que pode acontecer a qualquer um de nós a qualquer altura.


DP – Embora o Barreirense seja conhecido como o seu clube do coração, também nutre um carinho pelo Benfica. O que tem faltado aos encarnados para serem campeões mais vezes? Os bons resultados na pré-época podem ser um indicador de que 2012/2013 será a época de regresso aos títulos?
BC - É verdade que para além do meu clube (F.C. Barreirense), sinto carinho e sou adepto do S.L. Benfica. Aliás clube que representei durante 9 anos na modalidade de Futebol Praia. Penso que tem faltado é talvez serem mais fortes na sua globalidade que o atual campeão (F.C. Porto) e manterem a regularidade exibicional ao longo de toda a época. Uma coisa que tenho notado no Benfica nas últimas épocas é a deficiência física da equipa nas últimas 10 jornadas do Campeonato Nacional o que é preocupante visto ter-se repetido em todas as épocas com esta equipa técnica no comando da equipa, porque em termos de qualidade do plantel o Benfica está ao nível do F.C. Porto.


DP – Quem é o melhor jogador em Portugal na posição do Bruno Costa (defesa-central)? E no Mundo?
BC - Em Portugal o Otamendi (F.C. Porto). No mundo atualmente é o Pepe (Real Madrid).


DP – Qual é o seu onze ideal de todos os tempos?
BC - Buffon (Itália), Cafú (Brasil), Beckenbauer (Alemanha), Roberto Carlos (Brasil), Zidane (França), Diego Maradona (Argentina), Lionel Messi (Argentina), Cristiano Ronaldo (Portugal), Pelé (Brasil), Eusébio (Portugal), Ronaldo (Brasil)...E como num jogo de futebol não participam só 11 jogadores... Ainda tinha Iker Casillas (Espanha), Franco Baresi (Itália), Ronaldinho Gaúcho (Brasil), Luis Figo (Portugal), Cruijjf (Holanda), Bobby Charlton (Inglaterra) no banco de suplentes e treinados por José Mourinho (Portugal)


DP – Que opinião tem sobre a página no facebook “Futebol no Barreiro” (https://www.facebook.com/FutebolNoBarreiro)?
BC - Saúdo esta iniciativa cibernauta e penso que é positivo haver um espaço em que se fale e promova o desporto do Barreiro (tanto os clubes como os atletas), um espaço onde haja informação constante atualizada e onde todos possam se informar e opinar sobre todos os assuntos relacionados com o futebol no Barreiro.

12 comentários:

  1. Enorme entrevista de um grande líder e de um grande Barreirense .

    ResponderEliminar
  2. Não é só estatuto , é um Senhor dentro e fora de campo . Um exemplo para todos os nossos jogadores ..

    ResponderEliminar
  3. Este sim , é uma das poucas referências do clube no presente ! E só vemos é muitos no clube a quererem protagonismo quando nada fizeram para tal .

    ResponderEliminar
  4. 500 jogos a representar o nosso glorioso ? Talvez estejam à espera para quando ele deixar de jogar ou então falecer lhe fazerem uma justa homenagem ou postarem um lembrete no site.

    ResponderEliminar
  5. Só lamento que não tenhas coração aldeano ;) Abraço para ti Campeão

    ResponderEliminar
  6. É o grande símbolo do clube no activo sendo um orgulho para todos os barreirenses

    ResponderEliminar
  7. Grande entrevista de um grande barreirense. O nosso Líder !

    ResponderEliminar
  8. É um privilégio ver que ainda à atletas com esta personalidade e com esta fibra nos escalões terciários.

    ResponderEliminar
  9. Um atleta que nunca foi devidamente reconhecido no F.C.Barreirense , com quase duas dezenas de épocas e centenas de jogos pelo clube . Mas nada me admira no nosso clube ao nível directivo das ultimas épocas , só querem é protagonismo em proveito próprio e fico-me por aqui

    ResponderEliminar
  10. As suas qualidades sempre foram a raça e a entrega ao jogo liderando e incentivando os seus colegas.Os meus parabéns para ele pela razoável carreira desportiva que tem mas sobretudo pela enorme quantidade de épocas e jogos realizados pelo barreirense , o que é um feito pouco habitual.Viva o Barreirense !

    ResponderEliminar
  11. Não considero que tenha sido ou seja um defesa extraordinário , mas é um dos pouquíssimos neste momento dentro do clube que me identifico pela sua personalidade e por vermos como ele transpira a mística barreirense que tende a desaparecer.Atletas com este coração pelos clubes deviam ser eternos .....

    ResponderEliminar
  12. Impressionante pela sua raça , qualidade e longevidade . Acredito que ainda vai liderar mais um "Milagre" no F.C.Barreirense ...E ficará mais ainda na história do clube.

    ResponderEliminar